Características

A esquizofrenia é um conjunto de diferentes doenças mentais com sintomas que se assemelham e se sobrepõem, doença grave e crônica com início na adolescência ou no princípio da idade adulta.

Em todo o mundo estima-se que mais de 21 milhões de pessoas tenham esquizofrenia. Na população em geral a sua frequência é da ordem de 1 para cada 100 pessoas, havendo cerca de 40 casos novos para cada 100.000 habitantes, por ano. A magnitude dessa síndrome é maior em homens (12 milhões) do que em mulheres (9 milhões). Os homens desenvolvem esquizofrenia geralmente em uma idade mais jovem, com 20-25 anos de idade.

No Brasil, assim como no Rio Grande do Sul, poucos dados estão disponíveis. Estima-se que há cerca de 1,6 milhão de esquizofrênicos. Em estudos compilados no site do Ministérios da Saúde, Datasus.gov.br, no período entre agosto de 2012 e agosto de 2013, foram registrados 93.364 internações e 364 óbitos atribuídos à esquizofrenia. No Rio Grande do Sul, entre 2009 e 2011, registraram-se 9.389 internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) de pessoas com diagnóstico de esquizofrenia, contabilizando 29,2 internações por 100.000 habitantes no estado. Dessas internações, 77% foram do sexo masculino, com maior número na faixa etária entre 25 e 29 anos. Do sexo feminino 33% foram do sexo feminino e o predomínio ficou na faixa etária entre 45 e 49 anos.

Estima-se que 3,5% dos dependentes de álcool e outras drogas mostram a esquizofrenia como diagnóstico psiquiátrico. A ocorrência concomitante de transtornos por uso de álcool e esquizofrenia estabelece uma perversa evolução da doença. Por outro lado, pesquisas mostram que as drogas ilícitas também podem acelerar o início da esquizofrenia, concluindo-se que o abuso dessas substâncias constitui um agravo no prognóstico dos pacientes esquizofrênicos, com a diminuição da capacidade de julgamento, negligência com relação ao uso dos medicamentos e reinternações frequentes.

Em estudo pioneiro, realizado no Rio Grande do Sul, foram analisadas as internações psiquiátricas pelo SUS, no período entre 2000 e 2004. A esquizofrenia apareceu como o principal diagnóstico em internações hospitalares no ano de 2000, mas apresentou uma tendência a diminuição de cerca de 20%, em 2004, devido as reformas na assistência psiquiátrica efetivadas nos últimos dez anos. A esquizofrenia é a psicose mais frequentemente encontrada nos manicômios e chega a atingir 50% da população carcerária. A síndrome se caracteriza por distorções do pensamento e da percepção, emoções, linguagem, autoconsciência e comportamento. Atinge não só na área cognitiva e afetiva, mas também a área funcional, quando o indivíduo tem algumas dificuldades em cumprir suas habilidades de vida diária e manter seus papéis sociais e individuais.